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sábado, 12 de março de 2011

(Arnaldo Antunes)

não morra, mas

se morrer

não se mova

na cova, mas

se mover

não se vire

de costas, mas

se viver

vire-se

sexta-feira, 11 de março de 2011

(Arnaldo Antunes)

pé ante pé ande
até onde
exista um instante
presente
e re
torne
de ré
para rente
do rés
do que res
ta do que e
ra o que é


imagem: Marcia Xavier

quinta-feira, 10 de março de 2011

(Arnaldo Antunes)


sem vento, ár

vore, não

se move nem

se mover

ão

no inver

no seus ver

melhos ver

des no ver

ão




imagem: Marcia Xavier

quarta-feira, 9 de março de 2011


(Arnaldo Antunes)

vejo
de longe
longe
vejo
o que desejo desde
dentro
e entro
entro
dentro
do que vejo

terça-feira, 8 de março de 2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

(Arnaldo Antunes)
 
aqui
está
o que
insta
estar
aqui
neste
isto
mesmo
desde
o fim
até
o des
tino
que se
ex
tingue
no úl
timo
istmo
entre
antes
e es
te ins
tante
esta
gnado
em si
gnos

domingo, 6 de março de 2011

O BURACO DO ESPELHO
(Arnaldo Antunes)

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí

pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some

a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve

já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora