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sábado, 23 de julho de 2011

ESTÁTUA
(Vitor Nascimento Sá)

Para Carlos Drummond de Andrade

Ah! Carlos, pra que tanta comoção?
Arrancaram-lhe os óculos;
noutro canto, o livro.

Vão arrancar também, 
em pouco tempo,
teus pés e tua cabeça e teu banco
e tua praia às tuas costas.

Os pombos te sujam, gauche.

Ah! Carlos...
Esqueceram teu nome.
Arrancaram tua memória.

E agora, Carlos,
para onde?


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sexta-feira, 22 de julho de 2011

TEREZA
(Vanny Araújo)

Lavo, passo, cozinho
Cuido da casa, cuido da vidas
Da minha
Da sua
Das vizinhas
Vivo feliz, quase sozinha
E só de noite
Você me procura
Me beija, me chama de dengo
Me leva à loucura
Me lambe e se lambuza
Depois vira e dorme
Escuta aqui nego
Não é bem assim
Em cima daquela bicama
Sou eu quem faz drama
Você só diz sim!


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quinta-feira, 21 de julho de 2011

CARMIM
(Vânia Melo)

Pega pelos pés tua santa
Aperta peitos, pernas, anca
Evoca sua semidona, madona
Me adora

Mas cuidado
Sei que custa cuidar de mim
Não apertes meu rosto
Meu maior gosto

Pecado
Se há de maltratá-lo
Pode ser meu fim
Querido, cuidado!
Não borres meu carmim.


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quarta-feira, 20 de julho de 2011

SEIS VERSOS PARA UM AMOR FUTURO
(Saulo Moreira)

eu penso: 
enquanto você samba sobre nosso cafuné.

eu escrevo:
mas só quem me lê me faz e é poema.

eu beijaria seus pés tatuados, flor
esmaga nossos significados e degustemos os morangos, 
                                                                                                  [enfim.


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terça-feira, 19 de julho de 2011

CONVERSA
(Ricardo Thadeu)

aí eu disse:
vai ver se eu tô lá na esquina!

ela foi
e eu tava


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segunda-feira, 18 de julho de 2011

NEM MAIS UM PIO
(Priscila Fernandes)

Tenho em mim uma dor de ninho.

Argila entre os dedos,
trança alvoroçada.
Pássaro piando
no peito.

Dor de bicho,
ferro no couro...
Herança de barro e farpa.

Soletra em canto
pra não 
esquecer tua marca!


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domingo, 17 de julho de 2011

O SILÊNCIO
(Lidiane Nunes)

Tantas palavras,
frases intermináveis,
queria expressar
em alto e bom som.

Sem perder o tom,
queria recitar poemas
de amor
ou de amigo.

Mas, da boca, 
apenas um sorriso terno
e constrangido.


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sábado, 16 de julho de 2011

O OLEIRO
(Janara Soares)

Os meus peitos são obra tua,
moldados por tuas mãos
com o pó divino e tua divina saliva.

Foram queimados no forno
de tua boca, os meus peitos.
De tua boca vem minha cor.

São tuas mãos aqui moldadas:
obra desconhecida
de um autor recém-descoberto.

São arte, da mais vistosa,
da mais suada e mais laboriosa
que saiu de tuas mãos.

É teu o sopro e minha morte,
minha pequena morte de todas as noites
dentro das tuas mãos.


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sexta-feira, 15 de julho de 2011

MEU PLANETA
(Gildeone dos Santos Oliveira)

O meu planeta
é menor que um alfinete,
tem oceanos vastos, 
e o continente é habitado
por belas sereias
que se banham
dentro da minha 
flor vermelha.

É por isso que minhas estrelas
tocam sonatas de dor,
e a lua chora
toda noite, gozando de amor.


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quinta-feira, 14 de julho de 2011

IDEUSGRAMA
(Gibran Sousa)
.................................edeusdeusue
.............................eu..................de
..........................se.......................us
..........................de......................us
................................................es
............................................de
.........................................ud
.........................................eu 
.........................................se
.........................................de 
.........................................us
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quarta-feira, 13 de julho de 2011

JORNADA
(Georgio Rios)

*para Wender Montenegro

Eu quero a estrada secreta
A enseada e o som que sai da pedra

Eu quero recolher as perdas
E preparar uma canção

Eu quero andar sobre sua sombra
E despejar música entre meus passos

Eu quero depois da jornada
Apenas uma pedra fria
Para reclinar a cabeça


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terça-feira, 12 de julho de 2011

TEIMOSIA
(Gabriel Lopes)

Costurei meus lábios
Cortado pelo silêncio
Que se molda como água
Em corpo de símbolos dispersos
Astros no instante de touro
Não me deixam perder.


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segunda-feira, 11 de julho de 2011

PRAZER, PRAZER
(Fabrício de Queiroz Venâncio)

Sou um pouco da brisa e da manhã,
Passeio pelas faces, danço pelos ventos
 e não concluo nenhum dos meus dias.

Há quem me sinta efêmero,
 (como passos de cordeiro)
Quem me faz mal julgamento;
Mas não há quem viva
 (e a verdade seja dita)
Sem o toque dos meus dedos.

Sou um pedaço de toda conquista e toda derrota,
Praguejo campos de trigo, eternizo os de batalha
 e não há tempo para a glória dos meus feitos.

Salvo os dias mediante amor
 (como mãe protegendo a cria)
Rogo ao espírito a força guia
Eternizo escrituras em deleite
 (até me fazem versos)
Despejado em folhas macias


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domingo, 10 de julho de 2011

O MAR E O QUINTAL
(Érica Azevedo)

Olho o quintal 
E vejo o mar
Duas imagens oscilando horizontalmente
Azul, azul, azul...

Pensar o mar no quintal 
é estar em duas caixas fechadas 
aberto para o abismo

sábado, 9 de julho de 2011

POEMA PARA SENTIR DOR
(Edson Oliveira)

No fim do mundo nasceu um menino
que come peras como quem chupa manga

seus pés, seus dentes e seu dorso
são só poesia...
até as costelas 
que agora lhe perfuram os rins
teimam em recitar versos

Enquanto isso
sorrio no espelho
e tenho pena da pobre criatura

Pra que tantos dedos?



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sexta-feira, 8 de julho de 2011

DESAGENDADO
(Daniel Farias)

a poesia me ocorre nos dias de folha em branco

boto verso no compromisso e rimo a reunião de ideias,
enquanto rimos do relógio.
três horas são seis linhas.
pontual só essa vírgula, 
a tarde estrofe minha.

o cotidiano que se acumula em minha cama
me rouba o sono e de lá resgato esse poema:

os dias correm quando a poesia passa em branco


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quinta-feira, 7 de julho de 2011

SEM TÍTULO V
(Caio Rudá de Oliveira)

este será o quinto poema do mês
a quintessência da poesia
de um mês na quinta colhendo lírios e 
lirismos
vendendo-os todas as quintas-feiras
nas feiras de quinta, qual a dita poesia
feita de lírios, não mais que delírio


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quarta-feira, 6 de julho de 2011

ENXÚDIA
(Clarissa Macedo)

É assim: 
a gente chega 
despreparado pra vida 
e recebe dela
um açoite, 

com outra mão numa faca
sangramos 
até o crepúsculo 
e nele
exaustivamente 
arquejados 
violentamos 
o ventre,  
esmeril de sons 

Sacrificantes de tormentos 
esgotamos suprimentos
e as preces em latim 
não saciam mais 

palpitamos até a morte
e renascemos. 

Amamos, derretemos 
e cinzamos na fogueira 
das bruxas de palha sul, 
preciosas e pensantes maçãs. 

Pleiteamos o gozo, 
logramos a náusea
e contando ensurdecedoramente 
os tics na parede vã, 
quase rebentamos 
num tiritar infindo 
para algumas horas 
além, 
seta implacável, 
emoldurar o tigre empalhado. 

É assim,
os matizes da dor
cessar-se-ão
ao fugir dos vagões
em vento tufônico
carregando as caixas lacradas 
presentes de fita verde

Contagem da bomba relógio. 
É o que diz a veia 
titânica
fulgente como o mel, 
ouro gasoso


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terça-feira, 5 de julho de 2011

EN CLOSE
(Bernardo Almeida)

É a vida
Fogo-fátuo
Desespero
E os pudicos
Mais fodidos estão
Nessa história 
De dor e degredo


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segunda-feira, 4 de julho de 2011

VERSO DE SANGUE
(André Guerra)

Declaro minha incapacidade 
para falar de amores e belezas.
Das rosas, as pétalas são lindos lençóis
Mas a poesia deita-se melhor sobre os 
espinho


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