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sábado, 5 de fevereiro de 2011

DESCOMPASSO
(Helena Ortiz)

perfeito o verso
a rima rica
o poema inteiro
resplandece
e eu aqui
inacabada

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

FOME PARA TODOS
(Helena Ortiz)

o homem chega ao trabalho
cumprimenta os colegas
alguns não respondem

lá dentro as cortinas o papel as máquinas
o pretenso comprador e sua pose

na hora do almoço todos vão ao restaurante
ele vai ao cais onde sopra a brisa

abre um livro e por momentos 
é um homem sem paredes

retorna ao trabalho
cumprimenta os colegas
alguns não respondem
                                não importa

está saciado de uma outra fome

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

SALVA
(Helena Ortiz)

cumpro um destino
e só saberei depois
que destino era esse
quero me arrepender
mas não me lembro mais
dos meus pecados
talvez seja isso o perdão

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

EM PAR
(Helena Ortiz)

posso mudar essa lembrança - é minha
inventar clima e cenário
azul as paredes
encher de sol
as janelas que choviam
posso abrir as portas
par em par
dar-te cor aos lábios
à face fria

ao transpor o portal
estamos juntas

e essa lembrança nem havia

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

PASSOS
(Helena Ortiz)

nunca fui das casas
que também não foram minhas
me abrigo - eis tudo - passa-se o tempo
mas minha vontade
é pertencer aos telhados

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

SETEMBRO
(Helena Ortiz)

não me ocorre nada
não me ocorreu
talvez sim
não sei
por medo
ou vergonha (um pouco)
dizer
que sou
estou sendo
tenho estado
(perdão)
feliz

outro dia
e acordo ainda
perceptivelmente
(e não é de ontem)
feliz

domingo, 30 de janeiro de 2011

OS QUE NÃO
(Helena Ortiz)

como é que eu ia saber
que era teu último abraço
e que a tranquilidade
com que te foste
era apenas a de quem
afinal
desvenda o mistério?

Aqui ficaram os que não vêem
não percebem
não ouvem
não respondam