sábado, 15 de janeiro de 2011

MEMÓRIAS PÓSTUMAS
(Luís Antonio Cajazeira Ramos)

Nasci, cresci, reproduzi, morri.
Vários deuses jogaram-me no limbo.
Vivi a vida exata. Tal carimbo
não basta? Vale lamentar o fim?


Foi tão curta a passagem no Universo!
Nem bem a tempestade, eis a bonança.
Ah se eu sonhasse nuvens de esperança.
Mas não: postei-me vígil no chão cético.


Neste leito indolor, a letargia
da imagem de um pastor tirando a sesta
em paz, velando em fé a morte certa,
guarda um conselho de ancestral mestria.


Um susto, apenas: a monotonia
desta paz infinita ser eterna.

Nenhum comentário:

Postar um comentário